Estado: doente (I parte)
Algures na Europa, num país calmo e acolhedor como Portugal, foi detectado um material tão perigoso e destrutivo que é necessária uma intervenção imediata, cirúrgica e INTELIGENTE por parte da sua população. O material em causa é explosivo e é composto por dois elementos: a falta de coragem e a recusa a pensar. Estes dois elementos formam uma dupla desastrosa e com consequências políticas, sociais, económicas e culturais trágicas que já levaram Portugal à base dos países mais atrasados da União Europeia. Já são inúmeros os portugueses infectados com estes dois elementos nocivos, e as áreas da sociedade são diversas.
A NÍVEL POLÍTICO os primeiros efeitos deste composto explosivo remontam ao depois do 25 de abril de 1974. Após a necessária revolução, Portugal esquecia-se das Colónias e deixava para trás milhares de pessoas que sofriam sozinhas e abandonadas as consequências de um Estado desertor. 30 anos depois, a cobardia e a recusa a pensar ainda conseguem dominar as políticas deste nosso Estado. As necessidades sociais não são ouvidas, os grupos (partidos/associações/cooperações/sindicatos) pressionam cada um por si até onde mais pode e ainda vivemos colados a ideologias e a estereótipos bacocos. E ainda conseguimos ser marcados por políticos e dirigentes de 3ª e pelo medo de um Estado mais participativo.
Também ao NÍVEL EDUCATIVO os efeitos do composto são avassaladores. Apesar de muitas paixões arrebatadoras pela Educação, têm sido poucas as melhorias efectivas. Numa juventude que não viveu o 25 de Abril de 1974, mas que foi ensinada e educada por professores e famílias que lutaram e viveram nesse período ditatorial, não se compreendem as faltas de coragem e as faltas de posições críticas de uma juventude que não deveria ter frio. Talvez a razão destas atitudes, ou falta delas, residam nas universidades e nas escolas. Nas ditas instituições de aprendizagem que formam os alunos para a vida mas que lhes exigem frequentemente as 1001 formas de ser um bom gestor, as 1001 maneiras de ser jornalista, ou as 1001 opiniões de uns tantos teóricos. Os alunos são esquecidos.
Sejamos claros e realistas, Portugal revela uma tendência natural para ceder à banalidade e à facilidade. A solução passará por actos corajosos como pensar, debater, inventar, e não ficar pegajosamente colados à memorização das opiniões dos outros.
