quinta-feira, abril 28

Dias de uma empresa privada portuguesa

Dia de mais um apelido tornado nome de empresa
Dia de contratar o amigo da amiga do primo
Dia de comprar um carro topo de gama
Dia de lucro
Dia de não pagar aos funcionários
Dia dos chatos dos sindicatos
Dia de incêndio da fábrica
Dia de reabertura em Santa Mariazinha de Não Sei de Onde
Dia de lucro
Dia de novo carro para o administrador
Dia de reunião extraordinária da administração
Dia de aquisição por uma empresa espanhola
. . .

terça-feira, abril 26

Dias de uma empresa pública portuguesa


Dia de despertador avariado
Dia de muito, muito trânsito
Dia de muita, muita reflexão sobre a vida
Dia de ponte
Dia de greve
Dia de baixa
Dia de subsídio de doença
Dia de jantar da secção
Dia de aniversário do chefe da secção
Dia de novo governo
Dia de recepção ao novo chefe de secção
Dia de falha do sistema informático
Dia de reclamações, requisições, arquivações, carimbações
Dia de ponte
Dia de greve
Dia de baixa

Dia de subida de escalão

. . .

quarta-feira, abril 20

De Vaclav Havel...


Porque a questão que importa colocar é se o futuro brihante está realmente assim, sempre, tão distante. E se, pelo contrário, já estivesse aqui há muito tempo, e apenas a nossa cegueira nos tivesse impedido de o ver ao nosso redor e dentro de nós, e nos tivesse impedido de o desenvolver?

sexta-feira, abril 15

De um comentário deixado em outro lugar...


São tantas as vezes em que não sabemos (e é tão bom não saber tudo!Mas agora insistem em que temos de saber tudo e de tudo!!).

segunda-feira, abril 11

A life waiting for you...

Sim,
foram todas as cartas não recebidas de um amor nunca correspondido,
muitos e muitos poemas escritos entre a chuva do tempo e da alma,
passeios numa areia perto demais do mar,
invejas, incompreensões,
desculpas e interrogações.

Vejo,
toda uma vida à espera de um momento para nunca ser esquecido, a vontade eterna de poder repetir várias e várias vezes a imagem desse momento. Pensamentos e sonhos continuamente repetidos nos esconderijos, nos escuros, e onde não raras as vezes havia Lua e haviam estrelas.

Agora,
inevitavelmente e sempre...
as mãos pedem mãos,
os lábios pedem lábios,
os braços pedem braços,
os olhos pedem olhos.

And Love will be the same...

quarta-feira, abril 6

Uma cantiga d’amigo...de Cátimo Clasco


Foste, filha, a uma disco*
E rasgaste o vestidinho.
Curtiste bué**
Mas pisaram-te o pé
E foste embora, mas é***

Foste, filha, abanar o pacote****
E rompeste o teu saiote.
Curtiste bué
Mas pisaram-te o pé
E foste embora, mas é!

E rasgaste o vestidinho
Que te pôs feita tolinha.
Curtiste bué
Mas pisaram-te o pé
E foste embora, mas é!

E rompeste o teu saiote
Que te pôs a dar o mote.
Curtiste bué
Mas pisaram-te o pé

E foste embora, mas é!
*espaço de baile moderno
**divertiste-te muito
***porque era melhor ir indo
****abanar o rabinho
(de outros tempos e outras pessoas)